29.9.04

::Adeus amiga

Já passaram uns dias e continuo inconformada e sem perceber porque te foste embora assim, cheia de egoísmo. Somos (não quero ainda acreditar que fomos) amigas desde que começámos a dar os primeiros passos e a comer cerelac. Desculpa, não vi a infelicidade e o desespero nos teus olhos. Desculpa, não percebi os ténues sinais do teu sofrimento quando já estavas a ser consumida por chamas de depressão. Acho que nada devia já fazer sentido para ti e a vida tornou-se um fardo. Gostava de te ter mostrado a beleza. Um pôr-do-sol quando estende o último calor laranja sobre o tapete de mar, o orvalho da manhã numa túlipa. Não deixaste que te ajudasse a reencontrar o prazer de sorrir. Podíamos ter encontrado a solução para a tua escuridão. Não quiseste. Agora só me restam os livros do Daniel Sampaio.


:Ouvindo “Lusitano” de Joel Xavier:

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