25.9.04
::Ponto final
Adeus. Esgotei as hipóteses entre nós (já não eram muitas, mas se calhar nem notaste). Deixo-te esta carta porque não quero olhar para a tua expressão para a tornar apenas numa distante e húmida névoa cinzenta. Se quiseres depois falamos, mas pelo telefone. Atingi a saturação de te ver a gabarolar para qualquer loira oxigenada tipo lixívia superblanc de uma loja dos 300 (não me habituo a dizer loja 1-euro-e-50). Quando foste para Berlim de pasta na mão para uma formação dessas coisas de programação e teclas de computador resolvi tudo comigo o que tivesse a ver contigo. O primeiro sintoma foi a sensação de leveza em vez de uma pesada saudade. Percebi que me estrangulavas. Acho que não quis auscultar antes o que já estava instalado. Fazes-me mal. Não é um Até já. É um Adeus.
:Ouvindo “Verklärte Nacht op. 4“ (1899) de Arnold Schoenberg (LaSalle Quartet):
:Ouvindo “Verklärte Nacht op. 4“ (1899) de Arnold Schoenberg (LaSalle Quartet):